Eu e SÓ EU...

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Alone

Como EU sou...

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Bom Dia, Boa Noite... "essas coisas"!

Posting

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PORTUGAL é "só isto"...?!... NÃO... essencialmente, é UM POVO...!!!

Provérbios

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se, a descobrir e a descobrir-se com lucidez”. (Pablo Picasso)

PORTRAIT




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.

Gedeão


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.Gedeão

A(o)s que me deixam MENOS alone...!!!

sábado, 2 de julho de 2011

Richard Clayderman - Ballade pour Adeline




alone: estou a ficar "idoso"... tal como a música do Clayderman...!!!


Já agora: vocês GOSTAM dela?!...


Tenham um bom resto de Sábado e um DOMINGO "fora-de-série"...!!!


Posted by alone Dated02jul2011

O primeiro dia



O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente.

Um prenúncio de tragédia desceu por ele abaixo, como um arrepio. O que acabara de se lembrar era que não acordara só por acaso ou por acidente: aquele era o primeiro dia, a primeira manhã da sua separação — o primeiro de quantos dias? —
em que acordaria sempre sozinho, com metade da cama fria, metade do ar por respirar.

Era Abril, sábado e chovia. Sentado na cama, lembrou-se das instruções que dera a si mesmo para aquela manhã: fazer peito forte à desgraça. Nada é inteiramente bom, mas nada é inteiramente mau - pensou. Posso ler à noite até me apetecer sem me mandarem apagar a luz, posso dormir atravessado na cama, posso-me livrar daquele rol de cobertores com o qual ela me esmagava, fizesse sol, chuva ou frio, porque as mulheres são mais friorentas que eu sei lá, posso usar a casa-de-banho todo o tempo que quiser, posso espalhar as roupas, os jornais e os papéis pelo quarto à vontade e até - oh, suprema liberdade — posso fumar à noite na cama.

Levantou-se para se olhar ao espelho da casa-de-banho. Sorriu à sua própria imagem, ensaiou-a calma, tranquila, confiante. Imaginou mentalmente o texto que poderia redigir sobre si mesmo para a secção de anúncios pessoais do jornal: “Divorciado, 40 anos, bom aspecto, licenciado, rendimento médio-alto, casa própria e espaçosa, desportos, ar livre, terno e com sentido de humor”. Mulheres compatíveis? Deus do céu, dezenas delas! Sou um partidão
— concluiu para o espelho.

Calmo, tranquilo e confiante, passou aos outros aposentos da casa para dar uma vista de olhos ao resultado da partilha dos móveis, aliás feita sem grandes problemas, como é próprio de gente civilizada. Por alto, entre o living, o hall, o escritório, a cozinha, o quarto de casal e as duas casas-de-banho, estimou nuns setecentos contos o preço da reposição das coisas em falta.
Mais metade dos livros e dos CD's, quase todas as fotografias dos últimos dez anos das suas vidas e algumas outras coisas cujo verdadeiro valor era o vazio que encontrava se olhasse para o lugar onde elas costumavam estar.

“Até agora vou-me aguentando”, considerou ele.
Entre perdas e danos e a certeza adquirida de que nada dura para sempre, restavam-lhe várias razões e objectos e sentimentos para olhar em frente sem um sobressalto.

Enquanto fazia, com um prazer insuspeitado, o seu primeiro pequeno-almoço de homem só, passou à fase seguinte do que chamara o “plano de sobrevivência”: desfolhar a agenda de telefones em busca de amigos igualmente sós com quem fazer “programas de homens” ou de antigas namoradas, que se tinham separado ultimamente ou outras que achava acessíveis mas que nunca tivera a coragem e a oportunidade de aproximar. A primeira desilusão foi com os amigos: de A a Z, realizou que só tinha dois amigos sem mulher e, para agravar as coisas, com nenhum deles lhe apetecia sair e entrar numa de “anda daí e mostra-me lá como é o mundo lá fora”. Quanto às mulheres que julgava sortables, sempre eram cinco, mas o resultado foi quase patético. Duas já não moravam naqueles telefones, outra tinha-se casado entretanto, e o marido estava ao lado a ouvir a conversa, o que o deixou completamente idiota a inventar pretextos absurdos para o telefonema. Do número da quarta atendeu uma criancinha e ele desligou e foi só na última da lista que finalmente teve sorte: sim, a Joana morava ali, era ela própria ao telefone. Não, não estava casada nem, pelo que, esforçadamente, percebeu, tinha namorado. Sim, ok, por que não irem jantar logo, para falar do projecto que ele tinha e onde ela poderia caber. “Ah, a tua mulher não vem? Separados? Não, não sabia. Recente? Pois, essas coisas são tão chatas, mas ainda bem que reages e tens projectos novos e tudo! Ok, às oito e meia vens-me buscar”. Ele teria desligado quase em êxtase, não fosse a frase final dela, à despedida, que o deixou verdadeiramente abalado.
“Olha, vais-me achar uma grande diferença. A idade não perdoa a ninguém, não é?”

Enfim, sempre era um date. O primeiro, certamente, de uma longa lista. O que interessa se for um flop — achas que ias encontrar uma mulher super logo ao virar da esquina? É preciso é entrar no circuito, pá, começar a sair, a ser visto, fazer com que as pessoas saibam que estás disponível.
O resto vem por arrasto.

Passeou-se pela casa, pensativo, fumando o primeiro cigarro do dia. De repente lembrou-se que ainda não tinha visto o quarto do filho. A cama e a escrivaninha tinham ido, assim como praticamente todos os brinquedos. Sobrava um boneco de peluche, três ou quatro carrinhos semi-partidos, uns legos e um quadro para fazer desenhos, com os respectivos marcadores, pousados, à espera de uma mão de criança. A mesa-de-cabeceira ficara e parecia absurda no meio do quarto, sem a cama nem os outros móveis, com um retrato dele e do filho numa praia do Algarve, sorrindo, abraçados um ao outro. Sem saber porquê, sentou-se no chão encostado à parede, muito devagar, a olhar para a fotografia. Duas grossas lágrimas escorregaram-lhe pela cara abaixo e caíram na madeira do chão, entre as pernas.
Foi só então que ele percebeu que estava a chorar.

(foi mantida a grafia original)

Miguel Sousa Tavares

Fonte: Texto extraído do livro “Não te deixarei morrer, David Crockett”, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 2005, pág. 23.






Posted by alone Dated02jul2011



sexta-feira, 1 de julho de 2011

PACIÊNCIA



Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"...
E o bem comportado executivo? O"cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado.
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar? Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda- se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você? Onde você quer chegar? Está correndo tanto para quê? Por quem? Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar? As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...


NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL...
SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA...


O Destino decide quem Você encontra na vida... Suas atitudes decidem quem fica.


Arnaldo JABOR



Fonte: PortalDiabetes.com.br




Posted by alone Dated01jul2011


Mafalda Arnauth - O Mar Fala de Ti




alone: a música Portuguesa é, essencialmente, "um estado de ALMA"...!!!


Posted by alone Dated01jul2011

No Coração, Talvez



No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.

Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"




Posted by alone Dated01jul2011


quinta-feira, 30 de junho de 2011

"A MINHA TRAVESSA DO FERREIRA" VAI "P"RA OBRAS"...?!...

Picture Captions


O meu AMIGO Henrique Antunes Ferreira, "mentor" do excelente BLOG que é "A MINHA TRAVESSA DO FERREIRA, anunciou hoje a sua "partida" da Blogosfera, apresentando as suas razões para o fazer. Este "SPORTINGUISTA DANADO" que, é das pessoas mais competentes que eu conheci em matérias de Blog (e não só...!), Bloguista ferrenho e envolvido "de corpo inteiro" na "sua TRAVESSA", achou por bem dedicar-se mais a outras "coisas" e à Família do que continuar a missão a que se vinha devotando de alma, coração e... SABER!

ApontoRui (como o Henrique me chama!...), o ALONE, não pode deixar passar este momento sem o PARABENIZAR pelo tempo em que nos "seguimos um ao outro" e pelos ensinamentos que me trouxe com a sua "militância e conduta" num Blog de "ENORME ESTATURA"!

Até um dia, Henrique... TU é MUITO BOM naquilo a que te dedicas...!!!


Abração

A.Rui (alone)


P.S.: ... não tem NADA a ver com a Política, hein?!... Cá pra mim TU vai é passar umas ricas férias e "ao despois" voltas...!!! Queres APOSTAR...?!...


Written and Published by alone Dated30jun2011


(não sei se TU reparaste mas tá nas "corês do Governo"... é a vida!...)



Rain Drops keep falling on my head






"Raindrops Keep Fallin' on My Head" was the number one song on the Billboard Hot 100 list in the United States in January, 1970. It is known as a very happy, optimistic song ( como o "novo" Governo de PORTUGAL...!!!).


Tradução:


vcs NÃO PAGARAM então NÃO TÊM DIREITO a ela (a tradução, claro...!)


Um Abração sem qualquer "adicional"... ihhhhhh


Posted by alone Dated30jun2011

Deus, a Criação e a Saúde (uma PIADA que não é "bem" uma PIADA... perceberam?!)



Deus criou o Céu e a Terra. E Deus disse:

— Que cresça a erva, que a erva dê semente, que da semente cresçam árvores de frutos!
E Deus povoou a Terra com brócolos e couves-flor, espinafres, milho e vegetais verdes de todas as espécies, de forma que o Homem e a Mulher pudessem viver longas e saudáveis vidas.
E Satanás criou o MacDonald's e a promoção de dois Big Macs, a três Euros.
E Satanás disse ao Homem:

— Queres as batatas fritas com quê?

E o Homem disse: Pacote Mega, catchup e mostarda; e o homem engordou 5 quilos.
E Deus criou o iogurte saudável e as frutas, para que a mulher pudesse manter a sua forma esbelta de que o homem tanto gostava.
E Satanás criou o chocolate. E a mulher engordou cinco quilos. E Deus disse: Experimentem a minha salada.
E Satanás criou os pratos de bacalhau com natas e marisco e pizza.
E a Mulher engordou 10 quilos.
E Deus disse:

— Enviei-vos bons e saudáveis vegetais e o azeite para que possam cozinhá-los.

E Satanás inventou o óleo vegetal, a galinha frita e o peixe frito.
E o Homem ganhou dez quilos e os níveis de colesterol bateram no teto.
E Deus criou os sapatos de corrida, e o Homem perdeu aqueles quilos extras.
E Satanás criou a televisão por cabo com controle remoto para que o Homem não tivesse de se levantar para mudar de canal.
E o Homem ganhou mais vinte quilos.
E Deus disse:

— Estás a passar das marcas, Demónio, e Deus criou a batata, um vegetal naturalmente baixo em calorias e nutritivo.

E Satanás tirou a saudável pele, cortou em palitos o miolo e fritou-as em óleo vegetal. E com o resto do miolo criou o puré de batatas com natas.
E o Homem agarrou no controle remoto, nas batatas fritas, no puré e nos outros pratos e foi ver televisão, carregando-se de colesterol.
E Satanás disse:

— Isto está bom. E o Homem teve um ataque cardíaco.

E Deus criou a intervenção cirúrgica cardíaca.

Mas, Satanás criou o Sistema de Saúde Português.









Posted by alone Dated30jun2011

Sem abrigo...



Estes homens e mulheres são ilhas de carne, náufragos num mar de gente que não tem nem os olhos nem os ouvidos necessários para os ver ou ouvir, estes seres são ilhas que, por definição, nunca se tocam, mas que se entendem de alguma forma, criam-se enquanto arquipélagos de gente, desenvolvendo acordos tácitos, linguagens comuns, falas silenciosas construídas sobre olhares e resmungos inaudíveis, perceptíveis apenas através da dança das rugas dos seus rostos, são uma sub-espécie humana, composta, todavia, e no seu todo, por membros da espécie maior, são iguais a todos os outros, a única diferença consistindo no facto de parecerem eles não ter nome ou idade, nem sonhos dentro da cabeça ou um coração no peito e outro na alma, são cidadãos esquecidos, deliberadamente esquecidos, somos nós que os vemos e esvaziamos o olhar, para que não se veja que vimos, somos homens e mulheres de olhos vazios, escondendo-nos de um outro em farrapos, somos um exército de mortos-vivos filhos da puta sem consciência ou coragem, dois vocábulos grandes e grandemente apagados da consciência colectiva.

Mas, e para se ser totalmente honesto, neste mar que somos, este mundo de corpos e cabeças, neste mar não existem senão ilhas, a água existe apenas em formato teórico, porque a prática dos dias mostra que todos somos pedaços de terra isolada entre águas frias, ninguém se toca, ninguém se sente, há sempre uma barreira invisível, uma membrana transparente que nos deixa parecer colados uns aos outros, mas sem nunca nos sentirmos. Somos uma multidão de corpos ignorantes do outro, habitantes dentro de castelos, somos almas abandonadas como casas em meio de campos, exército que se destrói e a outros na ânsia de encontrar uma fuga à solidão, uma fuga ao esquecimento dos sonhos e calor humanos, procuramos uma forma de encontrar algures alguém que seja mais do que um corpo apenas e esquecido, mais do que uma fortaleza de vidraça, mais do que um mero fragmento do que se podia ser.



Autor:Angraz


Fonte: luso-poemas.net




Posted by alone Dated30jun2011


quarta-feira, 29 de junho de 2011

JULIO IGLESIAS - POR ELLA




alone: o "gostosão" do Julio -como diz a minha prima Veridiana- em uma das suas (dele, claro...) OBRAS-PRIMAS. Ele aquí tinha 40 e tal anos e agora, ele já fez 352 plásticas e está -mais coisa menos coisa- "ingualzinho"...!!! Até a cantar...!!! No "resto" NUM SEIIII... rsrs... nem ME INTERESSA...!!!


Posted by alone Dated29jun2011


Jardins Suspensos



Dava pena vê-lo a tarde inteira sentado no banquinho de plástico ao lado do tanque, no quintal. Minha mãe vinha e dizia "vai, vai lavar essa xoxotinha". Ele se levantava inteiramente outro, na sua bata estampada, com a voz ranhenta e pastosa. Eu ficava intrigado com minha mãe falando aquilo e ele, em vez de ficar triste, ficava era alegre. Só assim ele saía daquele torpor em que mergulhava logo depois de arrumar a cozinha. E em mim vinha uma curiosidade intensa que crescia a cada tarde, tentando descobrir que tipo de roupa ele usava por baixo porque nunca tinha visto nada parecido com cueca na corda de estender. Ou não usava nada ou fazia de sua roupa de baixo o maior segredo. O que ele tinha mesmo era uma porção de batas coloridas que fazia à mão, com muita paciência.

Eu ouvia então o chuveiro despencando forte sobre seus cabelos mais escorridos que de índio a lhe descerem pelos ombros. E o corpo já devia estar coberto de espuma, um corpo liso talvez, como seus braços. Me vinha uma vontade doida de olhar pela janelinha, ver como ele era, que mistério havia sob aquele rosto triste e sem idade, que vivia a maior parte do tempo olhando para nada. Mas a janelinha era alta e, se minha mãe me pega, eu estava frito. Em que estaria ele pensando todas as tardes para só ser despertado por minha mãe dizendo aquela graça mais idiota? A nossa casa ficava numa vila de casinhas iguais, com o mesmo desconforto e sujeira. Eram casas escuras, tudo com o mesmo cheiro de ovo frito ou de carne moída sem tempero, parecendo grudado para sempre nas paredes. Raro o dia em que não estouravam brigas. Mas a gente vivia bela e solitariamente.

Não sei que moral tinha mãe para despistar todo mundo de nossa vida, fazer com que ninguém se interessasse por nada que nos acontecia. Ela dizia que era também para eu não dizer nada na escola e, quando perguntassem quantos éramos, eu dizer só dois. Fazia de conta que ela alugava o quartinho dos fundos para ter mais uma renda. A vila tinha de bonito só o nome, de civilização antiga e opulenta, como dizia a professora nas aulas de História. Nabucodonosor era o meu rei. E eu vivia sozinho naquela casinha de nada, com aquele hóspede cuja origem minha mãe mantinha em segredo e que só fazia espicaçar a minha imaginação. Ela dizia "se perguntarem alguma coisa a você, diga que é nosso inquilino", como se naquele espaço mirrado pudéssemos nos dar a esse luxo. Ela fazia tudo para eu não ir brincar no rego com os outros meninos para não pegar doença. Eu fazia meus deveres, tempo de terra molhada ia brincar de furão, tempo de terra seca, soltava arraia. E ele sempre me olhando, o tempo passando e minhas inquietações crescendo.

Uma vez por mês, em cada primeira sexta-feira, vinha um homem de branco e que não era doutor. Nessas noites eu tinha que dormir mais cedo e acordava de madrugada com muito cheiro de vela e a casa já em silêncio. No outro dia bem cedo, minha mãe saía com uma sacola na mão, onde eu via dois pombos alvíssimos sem as cabeças. Uma galinha também degolada, pretíssima, seria o nosso almoço. Era a única ocasião em que o via um pouco diferente, se bem que mais silencioso ainda. Mudava só as feições, como de quem conheceu o Paraíso. O seu contato com o mundo era só esse e, a cada dia, eu tentava me aproximar dele sem saber como. Ele só saía mesmo de casa quando lhe doíam os dentes e voltava com o lenço na boca, onde se viam largas manchas vermelhas. Suas gengivas iam ficando cada dia mais limpas e eu acho que ele ansiava pelo dia em que já não tivesse mais nenhum dente na boca. Já arrancara quase todos e devia certamente ser o primeiro da fila, pois saía com tudo ainda muito escuro e voltava esbaforido, me pegando ainda tomando o café para ir à escola.

Uma vez tentei me comunicar com ele, como fazia minha mãe. Aí eu disse "vá, vá lavar a xoxotinha". Mas ele me lançou um olhar tão triste, tão amargo, que me fez apanhar a toalha e ir tomar um banho fora de hora. O que mais me chamava atenção nele eram os dedos finos e ágeis trabalhando tapetes de estopa que minha mãe ia vender longe, na cidade. O dinheiro dividia com ele. Não sei de que ele precisava. Seu quartinho era nu, com uma esteira e um caixote que ele arrumava, pondo em cima seus pentes de dentes finos e um pote de creme para as mãos. A manhã inteira passava fazendo esse trabalho e de tarde caía em suas cismas. Eu olhava para ele meio de banda, querendo descobrir algum segredo e via uns poucos fios de barba continuando a costeleta longa, que ele raspava com uma gilete meio embrulhada no papel da embalagem. Se a gente o pegava fazendo isso, disfarçava, como que envergonhado, escondendo a gilete na mão, com o ruído do papel de seda.

Na escola, eu queria perguntar a alguém sobre os segredos do mundo, mas não me atrevia. Podiam rir ou pensar coisas de mim. Uma manhã me mostraram uma revistinha que me fez ficar com febre. Minha curiosidade aumentou. E eu olhava agora com mais freqüência, tantas vezes sem poder desviar os olhos de seu corpo tão encoberto. Perguntei a minha mãe por que ela dizia sempre aquela graça com ele, e ela, "você sabe que eu gosto de brincar", e pareceu ficar triste. Apesar das recomendações, eu não me continha mais dentro de casa, o mundo parecendo apertado para mim. E ele ficava agora todo inteiriçado quando me via. Até que numa tarde, sem mais nem menos, a voz ranhenta e pastosa, ao me ver, disse de repente, me tomando de surpresa: "quer ver dentro de mim?" E levantou a bata. Não usava nada mesmo por baixo. Com um riso estranho nos olhos, sentado no banquinho de plástico azul, abriu bem as pernas e de dentro delas brotou uma rosa sangrenta capaz de mudar o rumo de qualquer abelha.



Antonio Carlos Viana

Fonte: releituras.com






Posted by alone Dated29jun2011

Uma MENSAGEM devida (não é DE VIDA, entenderam, n'est pas...?!)

EU de "olho" no estudo... pró "conCUrso"...!!!



Eu, alone no blogue e António Rui na "vida corrente" (no Brasil até o acento agudo me "tiraram...), tenho algo a dizer às/aos minhas/meus "seguidora(e)s": estou numa fase de estudo para um Concurso (...e o meu "velho" computador também NÃO ME AJUDA...!) e, assim, não tenho sido tão PRESENTE quanto EU GOSTO de SÊR junto de VOCEMECÊSES...!!!

Peço perdão pelo facto (... aquí seria um "fato" mas agora não me ia ajudar nada!..) e, prometo, assim que a BORRASCA (... a tempestade, estas "merdices" todas...) terminar, voltar aos "velhos tempos" de seguidor e PERSEGUIDOR... rsrs

Vocês, ao "despois vão-me ter à perna" (á mão, etc., etc.)...!!!


Vão SÓ vêr...!!!





Written and Published by alone Dated29jun2011


terça-feira, 28 de junho de 2011

Roberto Carlos - Detalhes





Numa rara aparição em programa Talk Show (Jô Soares), Roberto Carlos canta a mais linda interpretação de DETALHES (1995).


(vidé Vídeo)


Posted by alone Dated28jun2011


Coisas de chupar (PIADINHA das Nove da noite...!)

CHUPAR ou LAMBER...?!...




A professora, como lição de casa, pede para os alunos trazerem no dia seguinte, a matéria " coisas de chupar". No dia seguinte ela pergunta a Aninha que responde:

- Pirulito, professora.

E a professora responde

- Muito bem Aninha, pirulito é de chupar.

A professora faz a mesma pergunta para o Marquinhos. E ele responde:

- Sorvete, professora.

- Muito bem Marquinhos, sorvete é de chupar.

E finalmente faz a mesma pergunta para o Joãozinho, o capetinha da escola, e ele responde:

- Cueca, fessora.

E a professora indignada, diz:

- O que é isso, Joãozinho? Cueca não é de chupar.

E Joãozinho bravo retruca:

- Claro que é! Ontem mesmo eu ouvi minha mãe dizer para o meu pai: "Tira a cueca que eu quero chupar"!

Fonte: www.portaldohumor.com.br





Posted by alone Dated28jun2011



segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Engenheiro e a Mula - PIADA - Coisas que a escola não ensina para os Engenheiros.



Um engenheiro passou num concurso público foi trabalhar na zona rural. Logo ele percebe que no vilarejo não morava nenhuma mulher: todos os moradores eram homens. Conversando com um dos peões da obra onde ele estava trabalhando, ele perguntou o que eles faziam quando tinham necessidade de sexo. O peão respondeu que ia perto do rio.

No próximo final de semana, o doutor engenheiro vai para o rio e encontra uma fila enorme de homens. Como ganhou respeito da peãozada, o pessoal começa a ceder seus lugares, deixando ele passar na frente até ocupar o primeiro lugar. Então ele vê uma mula e pensa:

-Caramba!!! Ter que fazer sexo com um animal. Droga! E eu não posso pular fora na frente desse povo todo.

E começa a fazer sexo com a mula. Dez minutos depois, estava fazendo seu trabalho e todos olhando e esperando. Até que alguém pergunta com muito respeito:

-Doutor, ainda vai demorar muito? A gente precisa da mula para atravessar o rio. As putas tão esperando a gente do outro lado.






Algumas lições só a vida ensina, não tem escola de engenharia que dê conta.



Da NET




Posted by alone Dated27jun2011



Estrela da tarde - Carlos do Carmo







alone: Fado composto por Ary dos Santos e Fernando Tordo, com uma interpretação belíssima de Carlos do Carmo.


Posted by alone Dated27jun2011


A PORTA DO LADO



Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a
gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida,
que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.

E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na
garagem
(ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a
abertura da porta do motorista,
é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos,
mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.

Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para
eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra,
não faz a menor
diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último
biscoito do pacote.
Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca
ouviram falar em saídas de emergência:
fincam o pé, compram briga
e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente.
O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também.
É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro
horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer,
então não vou
perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e
gente idem;
pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a
"porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do
bom humor,
a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado."

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não
estrague o seu dia...
Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.
Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto,
sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.
A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!

Por Dráuzio Varella

Fonte: textos_legais.sites.uol.com.br





Posted by alone Dated27jun2011

domingo, 26 de junho de 2011

Cavalo Á Solta - Ary dos santos - Fernando tordo








Minha laranja amarga e doce
Meu poema feito de gomos de saudade
Minha pena pesada e leve
Secreta e pura
Minha passagem para o breve
Breve instante da loucura
Minha ousadia, meu galope, minha rédia,
Meu potro doido, minha chama,
Minha réstia de luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa
Do que sente a gente certa
Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo
Minha alegria, minha amargura,
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha laranja amarga e doce
Minha espada, meu poema feito de dois gumes
Tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sussego
À desfilada no meu peito
Por isso digo canção castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma
Amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura


Posted by alone Dated26jun2011

PEDIDO DE DEMISSÃO


Venho por meio deste, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo.

Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem desapercebidas por mim e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo.


Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.

Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigada a dizer adeus ás pessoas queridas e, com elas, à uma parte da minha vida.

Quero ter a certeza de que Deus está no céu e de que, por isso, tudo está direitinho nesse mundo.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel, que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.

Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas.
Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida.

Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada.
Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria" e que isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.

Quero voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar ou aborrecer.
Quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Quero estar convencida de que tudo isso... vale muito mais do que o dinheiro!

A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

Demita-se você também dessa sua vida chata de adulto, mandando esta mensagem para todos os seus amigos, principalmente os mais sérios e preocupados.
NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ!!!

Conceição Trucom


Extraído do site: SOMOS TODOS UM

Colaboração: Mara Lúcia




Posted by alone Dated26jun2011


Uma "BRISA" preciosa...




Amiga BRISA DO SUL:

Senti a sua ENORME “frustação” no artigo que escreveu ontem, 25jun2011, num dos seus blogues, neste caso o
http
://ouvidizerk.blogspot.com.



Se eu lhe pudesse dizer do meu “desespero” em lutar contra um velho computador e sem “Bandas Largas” mas, sim, “muito estreitas” e, depois, ainda por cima ter “de me haver” com o Blogger, para vos dar retorno dos comentários que recebo ou de ir até aos vossos para poder deixar um “sinalzinho de vida e um aceno de simpatia/amizade”. Da forma “quase ARTESANAL com que eu faço MILAGRES -TODOS OS DIAS- para “estar” CONVOSCO no alone ou no 1lindomenino e colocando, aqui e ali, mais uma “coisinha” bonita ou com alguma piada, motivos do meu País e da minha cidade de Setúbal, escrevendo EU o que posso e sei ou então recorrendo à pesquisa para encontrar motivos de interesse para VÓS vindos de MIM... ai, Brisa, tanto tempo “perdido” mas a que eu me devoto com a ALMA dum PORTUGUÊS “guerreiro” e “genicoso” para que o alone e o 1lindomenino sejam O MAIS POSSÌVEL a “minha cara”, o meu “pensamento”, a transmissão de mim para VÓS e VICE-VERSA de mensagens e artigos que, de outra forma, ficariam ou só “dentro de nós” ou não teriam a EXPRESSÃO que assim tomam.

Luto, luto e continuarei a lutar sempre enquanto houver pessoas como a Brisa, como a Luar, como o Henrique, como a Graça, como e como e como... seguidora(e)s que SÃO GENTE que aprendi a AMAR e a gostar de saber SEMPRE “Novas dos meus Amigos” tal é o “entrosamento” que já tenho com tantos de VÓS.

Não quero aqui contar as batalhas que já “perdi”. Quero, APENAS, enaltecer o que o alone e o 1lindomenino me DERAM até agora: muita AMIZADE, muita compreensão, muito “puxar de orelhas”, muita meiguice, muitos “mundos novos de cada um(a) de VÓS.

Contigo, Brisa, sinto que até políticamente “navegamos nas mesmas águas” e, sem TE TER FEITO ALGUMA VEZ ALGUMA PERGUNTA DE CARÁCTER PESSOAL (... e, às vezes, quase me “apeteceu” fazer...!), temos sido “companheiros de jornada” desde o início dos nossos blogues (alone e ouvidizerk e sargaço dos dias) sempre com respeito e ADMIRAÇÃO mútua.

Apetece-me, agora, te pedir que “não VÁS” embora dos teus blogs e que continues LUTANDO por aquilo que construíste e que é uma das tuas formas de expressão com as pessoas e o Mundo.

Por isso, peço-te: FICA, BRISA DO SUL, minha seguidora e Amiga.

Do “teu seguidor e Amigo”,

RUI




Written and Published by alone Dated26jun2011


Michael Jackson One Day In Your Life




Alone para BRISA DO SUL (http://ouvidizerk.blogspot.com/): este é "apenas" ... ONE DAY IN YOUR LIFE...!!!


Um ABRAÇÃO do


RUI


Posted by alone Dated26jun2011