Eu e SÓ EU...

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Como EU sou...

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Bom Dia, Boa Noite... "essas coisas"!

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PORTUGAL é "só isto"...?!... NÃO... essencialmente, é UM POVO...!!!

Provérbios

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se, a descobrir e a descobrir-se com lucidez”. (Pablo Picasso)

PORTRAIT




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.

Gedeão


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.Gedeão

A(o)s que me deixam MENOS alone...!!!

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Demanda



Em qualquer altura, há sempre uma série de coisas na nossa vida que não pode ser adiada. Continuamente correndo em alguma direcção, nunca nos é possível parar.

— Gostaria muito, mas agora não dá. Fica para uma próxima oportunidade...

Não tive qualquer pejo em desfazer (não adiar, desfazer) todas as imperiosas frivolidades do dia seguinte, deixar o telemóvel em casa e partir.

O secretismo da aventura conferia-lhe um sabor acrescido, como um desejo que não contamos a ninguém, receosos de que perca alguma força.

Ninguém entendia o meu sorriso e isso dava-me um certo e inexplicável gozo.

— Os extremos tocam-se — costumamos ouvir dizer. Havia na minha obsessão uma espécie de libertação. Eu esvaziara por completo a mente. Nada que não tivesse que ver com Sofia Salgado conseguiria vir à tona.

Conduzia pela manhã limpa e ensolarada, sentindo o vento fresco na face. A música alta espalhava pelo meu corpo a plenitude de um poder desconhecido. Desfrutava largamente a liberdade que se me oferecia e deleitava-me com a antecipação dos dias vindouros. A minha amiga imaginação operava uma miríade de delícias que me esperariam em Areias de Prata.

Aquilo que eu desejava com a intensidade com que nunca desejara nada... Nem podia simplesmente imaginar.

Parei num motel para dormir. Deitado na cama, um peso caiu como chumbo sobre a minha cabeça, enquanto sombras se moviam pelo quarto e os meus braços e pernas se agitavam sob lençóis suados.

Eh-pá-porra-meu!-eu-vou-apenas-passar-férias-pá-há-tanto-tempo-que-não-tenho-férias-pá! — ribombava uma voz interior, protectora.

Uma camada intermédia do meu cérebro procurava convencer-me de que ia simplesmente ter as férias que há muito desejava. Areias de Prata era um lugar pejado de belas paisagens naturais, o ideal para o repouso da alma. E quem sabe não aproveitaria ainda para fazer uma fotorreportagem vendável. Mas a última camada do meu cérebro — que a camada intermédia tentava a todo o custo subjugar com o meu deliberado apoio — sabia que a minha viagem tinha uma única e exclusiva razão.

Afinal, Sofia Salgado estava ainda bem viva dentro de mim. Julgara-a adormecida, imersa num coma profundo, mas agora tornava-se evidente que ela latejava na polpa da minha alma, bastando uma fresta para a fera enjaulada saltar...

Ao abandonar o motel, e mediante a aproximação de Areias de Prata, o nervosismo e a inquietação iam dando machadadas na antecipação do deleite. Havia qualquer coisa que me enevoava o espírito, como uma bruma caindo sobre o bosque. E não era o receio de não a encontrar.

Guardaria Sofia Salgado a centelha intangível que incendiava a minha alma? Teria o núcleo da sua identidade sobrevivido ao tempo, à pressão e a vulgaridade do mundo exterior?

Estes ecos de angústia repercutiam-se no fundo do meu ser, qual som de uma trovoada no mar tumultuoso ressoando pelo barco à noite.

Numa tarde de sol e céu azul, submergi lentamente num mar de mel ao ler numa placa: A-r-e-i-a-s d-e P-r-a-t-a. Todas as letras pareciam vestidas de uma cintilação e cor especiais. Encostei o carro antes de transpor a placa.

Tchic! Tchic! Tchic! — era um daqueles momentos em que o som de registo da minha máquina fotográfica me arranhava docemente a alma.


(Mantida a grafia do português de Portugal).

Manuel Matos Monteiro

Fonte: releituras.com



Posted by alone Dated06sep2011

domingo, 26 de junho de 2011

PEDIDO DE DEMISSÃO


Venho por meio deste, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo.

Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem desapercebidas por mim e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo.


Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.

Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigada a dizer adeus ás pessoas queridas e, com elas, à uma parte da minha vida.

Quero ter a certeza de que Deus está no céu e de que, por isso, tudo está direitinho nesse mundo.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel, que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.

Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas.
Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida.

Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada.
Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria" e que isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.

Quero voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar ou aborrecer.
Quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Quero estar convencida de que tudo isso... vale muito mais do que o dinheiro!

A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

Demita-se você também dessa sua vida chata de adulto, mandando esta mensagem para todos os seus amigos, principalmente os mais sérios e preocupados.
NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ!!!

Conceição Trucom


Extraído do site: SOMOS TODOS UM

Colaboração: Mara Lúcia




Posted by alone Dated26jun2011


segunda-feira, 7 de março de 2011

Não me Peças Sorrisos

Não me Peças Sorrisos, de Agostinho Neto, in Inéditos II,

por Mário Viegas (vídeo info)

Posted by alone

Dated07mar11