Eu e SÓ EU...

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Alone

Como EU sou...

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Bom Dia, Boa Noite... "essas coisas"!

Posting

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PORTUGAL é "só isto"...?!... NÃO... essencialmente, é UM POVO...!!!

Provérbios

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se, a descobrir e a descobrir-se com lucidez”. (Pablo Picasso)

PORTRAIT




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.

Gedeão


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.Gedeão

A(o)s que me deixam MENOS alone...!!!

sábado, 20 de novembro de 2010

Acerca de “preconceito”


Nesta matéria e, tendo já estado e visitado muitos outros países, considero que o Brasileiro é aquele que mais se queixa em matéria de “preconceito”. Nos jornais, nas TV’S, nas revistas, lá vemos com freqüência um(a) Brasileiro(a) a queixar-se de “preconceito” para com ele(a). Isto passa-se na Suíça, em Portugal, na Espanha, na Itália, na Alemanha, nos States, enfim, um pouco por TODO o Mundo.

Mas, para que não faltasse “pitada” no “preconceito” aí está também no Mercado Interno aquele(a) que foi “preconceituoso” para com ele(a).

BOLAS... !!! É muito “preconceito” junto...!!!

Muitas vezes, estou a dar comigo a rever o meu dia-a-dia de Português no Brasil e a tentar entender quem NÃO FOI "preconceituoso" para comigo. No café, no local de trabalho, nos estudos, tenho que adotar uma atitude muitas vezes “ofensiva” para que não me “façam um ninho na cabeça”. Isto, para já não falar, na dificuldade que um Brasileiro médio (... e fazendo eu um esforço de adaptação do “meu” Português para o daqui...) tem de entender... o “meu” Português! Parece, muitas vezes, que estou a falar na Língua Russa...! Bem, verdade, verdadinha é que já vi na Globo -e não só- estarem a traduzir Portugueses em peças de jornal, enquanto Italianos, Paraguaios, etc e tal, nem “merecem” uma traduçãozita. “Poliglotas” – penso eu...!!!

Por isso, essa "coisa" de “preconceito” tem MUITO que se lhe diga.

Que o digam os estudantes que em Escolas Técnicas e Universidades têm, à partida, em média menos 3 valores por NÃO SEREM “afro-descendentes”, só por que o candidato colocou um simples X no SIM. Sem necessidade de o “provar”. Já os outros candidatos têm de provar –para não perderem TUDO- que freqüentaram a Escola Pública entre a 5ª e a 8ª Série.

A vida tem destes “preconceitos”... e de “outros”...!!!





Written and Posted by alone
Dated 20nov10

Love me please love me - Michel Polnareff

Posted by alone

Dated 20nov10

Imagens ao acaso




Posted by Picasa

Preconceito


Preconceito é um conceito retardado

É um sentimento sem a mínima noção da lógica

Pretos, brancos, pardos, azuis e amarelos

Na realidade são vermelhos

Todo mundo é vermelho por dentro

Todo mundo é igual

Todo mundo é bicho gente

Mais nós, seres humanos, somos os únicos da espécie animal a fazer diferença entre cores e raças

Por que somos os únicos animais com estupidez suficiente para pensar de forma deselegante

Preconceito é pequenez de alma

Judeus, Árabes, Afros

São tão iguais quanto católicos, Americanos, e Alemães

Mais nossa estupidez não deixa esse pensamento ser algo pratico

Preconceito não é crime

É tolice

Deveras, não se deve punir um preconceituoso

Deve-se ter misericórdia

Preconceito é flor murcha

É espinho solitário

É caminho ao abismo da eterna solidão

Preconceito é falta de luz

Por que negros, brancos, amarelos e azuis

São todos um único corpo

Que dá forma ao universo das múltiplas formas da criação de Deus.




Radyr Gonçalves



Posted by alone


Dated 20nov10

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Assassinados por telefone (PIADA que NÃO É de LOIRAS...!!!)



O sujeito está viajando a negócios há duas semanas, quando resolve ligar para casa:
- Alô!
- É a Maria?
- É...
- Eu quero falar com a patroa!
- A patroa está dormindo...
- Dormindo a esta hora? Quatro da tarde! Chama ela mesmo assim!
- É que ela está no quarto com o namorado.
- Com o namorado?
- Sim!
- Escuta uma coisa, Maria, você quer ganhar 10 mil?
- Quero sim!
- Então, vá até o escritório, pegue o revólver na primeira gaveta e mate os dois.
- Péra aí...
Pouco depois.
- Pronto, e agora o que eu faço?
- Agora você joga os corpos na piscina...
- Piscina? Aqui não tem piscina, não!
- Não???!! Aí não é o 560-1921?



Posted by alone

Dated 19nov10

Sax - I will always love you - instrumental by Freddy Just

Ao som desta linda música e deste sax, tão excelentemente tocado diga-se, desejo a TODAS as minhas "Seguidoras" um EXCELENTE FIM-DE-SEMANA.

Abração.

Posted by alone

Dated 19nov10

Desespero


No peito uma dor que entope a fala e que a pede. Uma dor inexplicável e insolúvel que brota águas e uivos lancinantes e não pára e nada pára. A dor dos desastres recorrentes. A dor que já não sei se é de ti, se de mim, se de tudo ou de tanto nada. A dor que quero curar e nada cura. Como queria quem me ensinasse o mundo.


Clara


Posted by alone

Dated 19nov10

Nós já não


Nas finas areias daquela praia
Comecei a te amar.
A te sentir.
Rio de calmas águas
Que nos tranqüilizava também.
Areia e água que nos envolvia
Sempre em fim de tarde calma.

Amar e sentir-te.
Tocar-te.
O rio e a praia nos envolvendo.
Contemplação total.
Amor total.
Olhar-te, mas sempre com um olho
No rio
Azul esverdeado.

E os teus olhos
Eram tudo isso...
Praia e rio...
Ternos e calmos.
E os teus braços eram a corrente
De águas claras
E a praia de areias sempre finas.

A praia e o rio continuam lá.
Mas nós já não.





Written and Posted by alone
Dated 19nov10

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

That's What Friends Are For

YES....

A semente daquilo que será



O que a natureza do Universo mais ama é transformar coisas que existem e criar novas coisas como elas. Pois tudo que existe é, de algum modo, a semente daquilo que será.


(Marco Aurélio)
Posted by alone
Dated 18nov2010

CIDADE



Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.


Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.




SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



Posted by alone


Dated 18nov10

E porquê? (ORIGINAL)


Eu e você.
E porquê?
Corpos sem vida
Anestesia
Da alma e da corrida

Sem sentido
No prurido
Do dia e da noite
Sem afoite
A vida num açoite.

Constante, diário.
Sem sumário
E neste corolário
só solidão e tristeza
De quem em sua pureza
Quer apenas uma certeza.

VIVER com e em AMOR.



Original de alone que postou
Em 18nov10

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Primeiro dia


Primeiro dia de aula. Pastinha na mão, laço de fita no cabelo e a vontade de descobrir o mundo. O que havia lá fora? O mesmo aconchego da casa de mãe, pai e irmãos? Lá fora... muita gente e ela sozinha ou muita gente e ela também?

Partiu como um novo cabral. Menininhas engomadinhas rezando e rezando uma vida inteira para o Deus que ninguém via.

Perto da capela, um bebedouro engraçado. A gente aperta e a água espirra. Água gloriosa se elevando a alturas desconhecidas. Maravilha! Mundo interessante este da escola. com água dançando no ar e na boca.

— Onde já se viu! Hora de rezar...

Primeiro dia de promessas desfeitas. A menina saía da capela e a puxavam de volta. Nada de água dançando, espirrando, numa deliciosa festa de descoberta.

— Mamãe, nunca mais vou à escola.

— Por quê, filha?

— Não deixam a gente beber água.

E não voltou mesmo, a não ser muitos anos depois, com lágrimas nos olhos — água que aprendera a fabricar.



Márcia Carrano


Posted by alone

Dated 17nov10

Coisas dos "ares"... (PIADA, embora não pareça...!!!)



O passageiro chama a comissária de bordo e fala:

-- Senhorita, gostaria de cumprimentar o comandante e toda a tripulação pela pontualidade. Nestes dias conturbados, cumprir horários tem sido coisa difícil, mas vocês conseguiram levantar vôo na hora exata. Vou comunicar à diretoria a qualidade dos seus serviços.

-- Muito obrigada, falou a comissária. --Mas não se entusiasme muito porque este é o vôo de anteontem.



Agradecimento ao site http://www.quatrocantos.com/



Posted by alone

Dated 17nov10

Plano


Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida,
até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago.
No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca.
Pergunto onde está a transparência do
vidro,
a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa;
e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos,
a mesa
da alma suja de restos,
palavras espalhadas
num cansaço de sentidos.
Volto, então, à primeira
hipótese.
O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja,
através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice



Posted by alone

Dated 17nov10


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Grease - You Are The One That I Want

YOU ARE...!!!

Estava eu sentado, perto do mar



Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris... Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração... Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que junca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta.


Aldous Huxley




Posted by alone


Dated 16nov10

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Poder de regeneração


Tenho de confessar que NUNCA fui um daqueles “fundamentalistas” que protegem as árvores e que vivem a “apregoar” que o fazem. Gosto delas, entendo o bem que elas nos legaram, no passado, no presente e nos continuarão a legar, certamente, no futuro mas, daí, a gritar ao Mundo a minha “santa proteção” às ditas –sejam elas da Amazônia ou do Pinhal de Leiria – é que não é comigo. Feitios, né...?!...

Mas, hoje, quero cometer aqui uma inconfidência e que se prende com uma árvore pequenina que comprei num Super-Mercado e que foi das primeiras “verduras” que plantei no quintal da minha nova casa. É (é do verbo ser mas, esta “coisa” do corretor de palavras de Português do Brasil, raramente me deixa acentuar as palavras...) uma árvore de jabuticaba e foi com entusiasmo que a via crescer e... crescer...!!!

Até que um dia a “Nina”, uma cachorrinha que me deram há alguns meses, começou a habitar também a casa e se lembrou de “descascar” literalmente a árvore em questão. Mas só ficou mesmo um “esboço” de árvore , BOLAS...!!! Nem uma folhinha ficou “para amostra”!...

Depois de pensar um pouco, com algum esforço, fui com aquele “pedaço de tronco” até à parte da frente da casa e, aí, coloquei “aquilo” com um “olhar de desdém”...!

Com o passar do tempo e sempre que olhava para a jabuticabeira, vinha a lembrança daquela árvore que, “despontava” altiva, antes da “Nina” se ter lembrado dela. E, lá ia olhando ela e pensando: tá bom! Compra mas é outra...!

Um dia, já sem pensar em “milagres”, olhei para a “coitada” e pensei que estava a ver mal: não é que “aquilo” tinha começado a gerar novas folhinhas. Minúsculas mas eram folhas, sim senhor...! PODIA LÁ SER uma “coisa” dessas...!!!

Agora, embora lentamente, tenho assistido á regeneração da jabuticabeira, com novos troncos e muitas folhas novas.

Como a natureza é pródiga em ensinamentos. Depois disso, justificadamente, tenho olhado para outras “coitadas” a quem eu também “não dava nada por elas” e, afinal, com uma ou outra exceção (em Portugal é “excepção”, mas que fazer...?!...) aí estão elas na “luta pela vida” se revigorando mais e mais!...

Uma das lições que posso tirar daqui: porque será que o homem desiste, com tanta facilidade, de lutar pela vida e pelos seus ideais?!...

Lembro-me que, ainda pequeno, do nome de uma peça de teatro famosa que passava, então, num dos teatros de Lisboa e, se bem me recordo, com a interpretação de Amélia Rey Colaço... “AS ÁRVORES MORREM DE PÉ”.

MORREM e RENASCEM, digo eu "agora"...!!!

E... os HOMENS...?!...





Posted by alone
Dated 15nov10

Sombra dos olhos


Isso é muito pouco! Ele gritou, tão alto e tão grave que ela sentiu toda a raiva de seus pulmões cansados. Cansados de tudo. Da idade, da fumaça do cigarro, do ar condensado de mágoa, do silêncio, da indiferença, do abandono.

Ao ouvir isso, ela apenas o olhou por entre as sobrancelhas com ar de pena, soltando da boca uma nuvem branca de tédio que subiu até o teto de madeira entalhada em rococó. Perfeito como foi no início.

Contaminado de desgosto, ele contemplou longamente aquela mulher. Vendo seus olhos pintados de sombra cintilante e o cabelo ajeitado num penteado duro como seu olhar, lembrou-se de quando ela lhe disse pela primeira vez que o amava. Em seus olhos não havia sombra. Ao contrário. Brilhando a luz do Sol, as pupilas não eram negras, mas douradas, da cor do compromisso na mão direita.

Os dias se passavam como horas, e cada hora longe um do outro pareciam dias. Sempre juntos, já não se sabiam mais divididos.

Quando veio o outono, o frio chegou cedo demais e atacou a plantação e os negócios da família. E, como não bastasse, ele começou a sentir suas mãos leves demais, tremulando inconstantes feito as folhas secas que via, através do vidro, desprendendo-se dos galhos de salgueiro no jardim. Foi quando ele percebeu que o olhar dela tornara-se opaco.

Enquanto se perdia de tudo e de si, também a perdia.

Certa manhã, ela sentou-se ao lado dele para o café numa proximidade infinitamente distante. No salto-agulha, os pés dela alfinetavam, assim como os da cadeira, o antigo tapete vermelho, agora desbotado, cor de carne sem sangue. Meia hora em que ela apenas mordia, sorvia e engolia sons. Ao fundo, ele só ouvia a vibração do ar entrando e saindo de seus pulmões, quase sufocado pelo peso dos próprios pensamentos.

Ali, naquele instante, ele notou pela primeira vez aquela sombra pérola nos olhos dela. E ela já não era tão bonita. Estrela apagada, tentava refletir alguma luz no brilho em pó sobre as pálpebras mirradas. No rosto marcado da mulher, ele lia os anos que passaram juntos, como em um álbum de família. Recordava os tempos bons, revivia-os. Escondia-se dela e de si na lembrança.

Naquela noite de inverno, em frente à lareira, sentiu-se asfixiado de um completo vazio. Uma pessoa-copo-plástico, descartável. A sala havia se tornado imensa para conter sua presença esmigalhada, mas minúscula para abrigar os escombros de vida sobre seus ombros.

Ela não estava partindo para economizar os parcos tostões que lhes sobraram, deixando-o mais confortável. Ao contrário, estava deixando-o, confortavelmente, para não precisar mais carregar aquele corpo pesado e doente. Não era nele que ela pensava.

Mas ele sim pensava nela, em tudo o que fez por ela. Construiu forças sobre os entulhos sentimentais e as soprou com todo o ar de seu peito.

Ouvindo aquele grito desesperado e profuso, ela deixou escapar seu último fantasma de fumaça, depositou o resto de cigarro ainda aceso sobre o cinzeiro e, mergulhada em si, levantou-se e saiu.

Enquanto escutava os pequenos passos se afastando, ele permaneceu calado, observando as fracas chamas na lareira. Refletidas pelas gotas de cristal do lustre, elas se espalhavam pela escuridão da sala feito chagas. Olhava, mas não via o fogo que quase se extinguia naquela última lenha velha, queimando o último pedaço, assim como o cigarro no cinzeiro.



Michelle Horst



Posted by alone


Dated 15nov10


Saudade

Posted by alone

Dated 15nov10

domingo, 14 de novembro de 2010

Os teus pés - NERUDA




Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.


Pablo Neruda


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Dated 14nov10


Fado de Lisboa

Era o último amor


Era o último amor. A casa fria,
os pés molhados no escuro chão.
Era o último amor e não sabia
esconder o rosto em tanta solidão.

Era o último amor. Quem advinha
o sabor pela escuridão?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verão?

Era o último amor, o mais perfeito
fulgor do que viveu sem as palavras.
Era o último amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes passadas.

Era o último amor e não sabia
que os pés à terra nua oferecia.


Luís Filipe Castro Mendes




Posted by alone


Dated 14nov10