Eu e SÓ EU...

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Bom Dia, Boa Noite... "essas coisas"!

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PORTUGAL é "só isto"...?!... NÃO... essencialmente, é UM POVO...!!!

Provérbios

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se, a descobrir e a descobrir-se com lucidez”. (Pablo Picasso)

PORTRAIT




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.

Gedeão


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.Gedeão

A(o)s que me deixam MENOS alone...!!!

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terça-feira, 26 de abril de 2011

A desilusão





Há momentos na vida em que você aposta num emprego. Procura, claro, algo que um Concurso Público lhe pode oferecer. Especialmente se este for de caráter permanente e, de preferência, a nível estadual. Você escolhe a Instituição e pensa que APOSTA bem. Você conhece-a apenas de nome, mas sabe que o nome é considerado, nos meios de comunicação e não só, é “conceituado”. Você arrisca e vai a um Concurso Público com milhares de outros concorrentes aos postos de trabalho “em aberto”. Você sonha e pensa que a sua vida vai significativamente “mudar” e mudar para melhor, claro, se você ganhar um desses lugares. Você ganha.
Você é chamado e VAI mudar a sua vida! Você viu “cumprido” o seu sonho. Sabe o que é “mesmo” sonhar?!...
Você cumpre em tempo de espera e com a preparação de toda a documentação necessária. Você começa a ter os primeiros contatos com a Instituição e “não sente ser bem-vindo” àquela casa. Você pensa para consigo mesmo: ahhhh... são “feitios, NÉ?!”...
Você entra na Instituição e começa por verificar que não há qualquer esquema que ajude o novo funcionário a entender quais os seus direitos. De “obrigações”, você conhece um rol. Você encontra resistências de quem se arroga no direito de pensar que você se intrometeu em “território JÁ com dono”. Fazem-lhe sentir isso mesmo. Você fica com a pior mesa de trabalho e com um computador “a carvão”. Você, no seu trabalho diário, necessita de Internet mas, umas vezes você tem, outras você não tem porque, alguém, se arroga ao direito de “pensar” se você “merece” ou não. Os piores trabalhos e os horários mais fastidiosos são-lhe, sistematicamente, atribuídos. Todos os “velhinhos” da Instituição lhe “pisam os calos”. Afinal, o que você queria “mesmo” dali?
Quando você dá “pela coisa”, você sabe que o seu Plano Médico e Odontológico é... o SUS! Quando você tem uma moto ou um carro, isso é um “problema seu”! Aqui você só tem direito a ônibus e paga uma porcentagem (... agora, maior!) do seu salário. Você começa, a saber, que ALI raramente o seu salário é atualizado anualmente e que você aufere um salário não muito maior que um salário mínimo. Você vai de férias ao fim de um ano de serviço e a “trapalhada” é tanta que você recebe um valor e que, no mês seguinte, quase não tem salário depois do “ajuste”. Você, você...!!!
O seu sonho começa a se tornar uma ENORME DESILUSÃO.
Você percebe que “não tinha” esse direito de sonhar naquela Instituição. Sonhar só é “privilégio” para alguns. Para “grupos” e “grupinhos”. Você começa a entender, também, que os funcionários com “cargos Políticos” são, por norma, pessoas com boa colocação, bom salário e boa receptividade junto dos “grupos” e junto da Direção. Você é “ingênuo”, não...?!... Você “queria o quê” quando concorreu?!...
Este “vosso Amigo” é esse!... Aquele que concorreu... e “sonhou”!...
O lugar: Auxiliar Administrativo. Local de trabalho: ETEC “Jacinto Ferreira de Sá” em Ourinhos/SP. A Instituição: Centro Paula Souza.


Tenho dito.


Nota Importante: este Blog pode ficar “marcado” e, na primeira oportunidade, TIRADO DE CIRCULAÇÃO. Foi, afinal, o que aconteceu no ano passado, com um Blog feito por alunos do Ensino Médio que, depois de alguns “casos” havidos com eles, decidiram escrever “as suas verdades” em forma de Blog.
Quando as “coisas” são “chatas e incomodativas” o mais fácil é fazer aquilo que “alguém” fez em nome do “decoro e da normalidade democrática”: fez O DELETE dele!
Assim, a história escreveu-se “só para um lado”. Para o lado dos “FORTES”. Dos “Senhores da Escola “!




Written and Published by alone
Dated26apr2011


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pássaros nasceram para voar


O mundo sempre me pareceu um grande mistério. Lembro que ainda pequena, eu devia ter uns seis ou sete anos, vi minha irmã mais velha abater um passarinho para depois, com a ajuda de alguns amigos, dissecá-lo como a um sapo de laboratório familiar. Não arrisco explicar, aos olhos daquela menina, todo o sentimento que a cena lhe trouxe. Mas desconfio que deva ter sido algo aterrador, pois desde então, e observe que já se passaram muitos anos, passei a sentir a vida como uma eterna sucessão de enganos. Eu não cabia na família, na escola, no trabalho e, de resto, nem em mim mesma.

De início, achavam que se tratava apenas de timidez. Depois, os suores nas mãos e o silêncio que podia durar uma festa inteira, passou a ser visto pelos outros como arrogância. ‘Sofia, você precisa aprender a controlar suas emoções’, diziam-me os amigos mais próximos. No meio em que convivia, tornei-me o laboratório ideal para as frustrações alheias. E de tanto ouvir conselhos e repreendas, acabei por ter a sensação de que me dissecavam como àquele passarinho morto por minha irmã.

Primeiro arrancaram-me as pernas. Disseram-me que elas não me levavam na direção correta e que, portanto, não me eram úteis. Em seguida, analisaram e descartaram, um a um, os componentes desse pobre corpo. Foi quando descobri que ao invés de músculos, eu possuía raízes que se entrelaçavam e que pareciam expressar as mais longínquas memórias. E que no lugar de sangue, meus corredores vertiam um líquido gelatinoso e branco, uma seiva de vida que encerra um susto qualquer.

A simples idéia de que tal segredo pudesse vir a ser desvendado por algum de meus perscrutadores, congelava-me a alma. Pobre de mim. Como se não bastasse ter emprestado a esse mundo pernas, bocas e gestos aceitáveis, tinha ainda que esforçar-me para trocar com o ambiente externo, sentimentos corriqueiros, enxaquecas plausíveis, preocupações banais e um choro compreensível aqui e acolá.

Foi agarrada a essa indiscutível certeza que procurei encenar, neste grande palco, um medíocre, porém razoável, papel. Fiz-me mulher e deixei que rasgassem, dentro de mim, as mais finas veias. Como um acrobata, lancei-me em mãos e teias de palavras vilipendiosas. Deixei-me sugar até a última gota e derramei intranqüilas lágrimas em lençóis que nunca envelheciam. Ao final de cada espetáculo, retornava sozinha para o camarim. E ali ficava, ora imóvel — perturbada pelas ondas que me engoliam na mansidão do nada —, ora debatendo-me nas paredes invisíveis que me serviam de prisão.


Com o tempo, desisti de procurar aceitação. Percebi que de alguma forma não merecia ser amada, nem tampouco compreendida. Agarrei-me aos galhos que cresciam silenciosamente em meu mundo, adubando, no frescor das noites insones, algumas poucas lembranças que me pudessem ser úteis. Deixei que transbordasse nas veias partidas pelos inúmeros erros que cometi, aquilo que outrora era líquido e que não sei por qual motivo específico, tornara-se uma gosma pegajosa. Na solidão e na ausência, preguei em cada parede um retrato do que poderia ter sido minha existência e lancei-me aos ventos, experimentando a liberdade do pássaro que desconhece o momento exato da morte. E é feliz por existir na inocência de que está sempre pronto para o abate.


Vássia Silveira



Posted by alone

Dated03jan11