Eu e SÓ EU...

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Como EU sou...

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Bom Dia, Boa Noite... "essas coisas"!

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PORTUGAL é "só isto"...?!... NÃO... essencialmente, é UM POVO...!!!

Provérbios

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se, a descobrir e a descobrir-se com lucidez”. (Pablo Picasso)

PORTRAIT




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.

Gedeão


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.Gedeão

A(o)s que me deixam MENOS alone...!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Estava eu sentado, perto do mar



Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris... Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração... Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que junca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta.


Aldous Huxley




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Dated 16nov10

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Poder de regeneração


Tenho de confessar que NUNCA fui um daqueles “fundamentalistas” que protegem as árvores e que vivem a “apregoar” que o fazem. Gosto delas, entendo o bem que elas nos legaram, no passado, no presente e nos continuarão a legar, certamente, no futuro mas, daí, a gritar ao Mundo a minha “santa proteção” às ditas –sejam elas da Amazônia ou do Pinhal de Leiria – é que não é comigo. Feitios, né...?!...

Mas, hoje, quero cometer aqui uma inconfidência e que se prende com uma árvore pequenina que comprei num Super-Mercado e que foi das primeiras “verduras” que plantei no quintal da minha nova casa. É (é do verbo ser mas, esta “coisa” do corretor de palavras de Português do Brasil, raramente me deixa acentuar as palavras...) uma árvore de jabuticaba e foi com entusiasmo que a via crescer e... crescer...!!!

Até que um dia a “Nina”, uma cachorrinha que me deram há alguns meses, começou a habitar também a casa e se lembrou de “descascar” literalmente a árvore em questão. Mas só ficou mesmo um “esboço” de árvore , BOLAS...!!! Nem uma folhinha ficou “para amostra”!...

Depois de pensar um pouco, com algum esforço, fui com aquele “pedaço de tronco” até à parte da frente da casa e, aí, coloquei “aquilo” com um “olhar de desdém”...!

Com o passar do tempo e sempre que olhava para a jabuticabeira, vinha a lembrança daquela árvore que, “despontava” altiva, antes da “Nina” se ter lembrado dela. E, lá ia olhando ela e pensando: tá bom! Compra mas é outra...!

Um dia, já sem pensar em “milagres”, olhei para a “coitada” e pensei que estava a ver mal: não é que “aquilo” tinha começado a gerar novas folhinhas. Minúsculas mas eram folhas, sim senhor...! PODIA LÁ SER uma “coisa” dessas...!!!

Agora, embora lentamente, tenho assistido á regeneração da jabuticabeira, com novos troncos e muitas folhas novas.

Como a natureza é pródiga em ensinamentos. Depois disso, justificadamente, tenho olhado para outras “coitadas” a quem eu também “não dava nada por elas” e, afinal, com uma ou outra exceção (em Portugal é “excepção”, mas que fazer...?!...) aí estão elas na “luta pela vida” se revigorando mais e mais!...

Uma das lições que posso tirar daqui: porque será que o homem desiste, com tanta facilidade, de lutar pela vida e pelos seus ideais?!...

Lembro-me que, ainda pequeno, do nome de uma peça de teatro famosa que passava, então, num dos teatros de Lisboa e, se bem me recordo, com a interpretação de Amélia Rey Colaço... “AS ÁRVORES MORREM DE PÉ”.

MORREM e RENASCEM, digo eu "agora"...!!!

E... os HOMENS...?!...





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Dated 15nov10

Sombra dos olhos


Isso é muito pouco! Ele gritou, tão alto e tão grave que ela sentiu toda a raiva de seus pulmões cansados. Cansados de tudo. Da idade, da fumaça do cigarro, do ar condensado de mágoa, do silêncio, da indiferença, do abandono.

Ao ouvir isso, ela apenas o olhou por entre as sobrancelhas com ar de pena, soltando da boca uma nuvem branca de tédio que subiu até o teto de madeira entalhada em rococó. Perfeito como foi no início.

Contaminado de desgosto, ele contemplou longamente aquela mulher. Vendo seus olhos pintados de sombra cintilante e o cabelo ajeitado num penteado duro como seu olhar, lembrou-se de quando ela lhe disse pela primeira vez que o amava. Em seus olhos não havia sombra. Ao contrário. Brilhando a luz do Sol, as pupilas não eram negras, mas douradas, da cor do compromisso na mão direita.

Os dias se passavam como horas, e cada hora longe um do outro pareciam dias. Sempre juntos, já não se sabiam mais divididos.

Quando veio o outono, o frio chegou cedo demais e atacou a plantação e os negócios da família. E, como não bastasse, ele começou a sentir suas mãos leves demais, tremulando inconstantes feito as folhas secas que via, através do vidro, desprendendo-se dos galhos de salgueiro no jardim. Foi quando ele percebeu que o olhar dela tornara-se opaco.

Enquanto se perdia de tudo e de si, também a perdia.

Certa manhã, ela sentou-se ao lado dele para o café numa proximidade infinitamente distante. No salto-agulha, os pés dela alfinetavam, assim como os da cadeira, o antigo tapete vermelho, agora desbotado, cor de carne sem sangue. Meia hora em que ela apenas mordia, sorvia e engolia sons. Ao fundo, ele só ouvia a vibração do ar entrando e saindo de seus pulmões, quase sufocado pelo peso dos próprios pensamentos.

Ali, naquele instante, ele notou pela primeira vez aquela sombra pérola nos olhos dela. E ela já não era tão bonita. Estrela apagada, tentava refletir alguma luz no brilho em pó sobre as pálpebras mirradas. No rosto marcado da mulher, ele lia os anos que passaram juntos, como em um álbum de família. Recordava os tempos bons, revivia-os. Escondia-se dela e de si na lembrança.

Naquela noite de inverno, em frente à lareira, sentiu-se asfixiado de um completo vazio. Uma pessoa-copo-plástico, descartável. A sala havia se tornado imensa para conter sua presença esmigalhada, mas minúscula para abrigar os escombros de vida sobre seus ombros.

Ela não estava partindo para economizar os parcos tostões que lhes sobraram, deixando-o mais confortável. Ao contrário, estava deixando-o, confortavelmente, para não precisar mais carregar aquele corpo pesado e doente. Não era nele que ela pensava.

Mas ele sim pensava nela, em tudo o que fez por ela. Construiu forças sobre os entulhos sentimentais e as soprou com todo o ar de seu peito.

Ouvindo aquele grito desesperado e profuso, ela deixou escapar seu último fantasma de fumaça, depositou o resto de cigarro ainda aceso sobre o cinzeiro e, mergulhada em si, levantou-se e saiu.

Enquanto escutava os pequenos passos se afastando, ele permaneceu calado, observando as fracas chamas na lareira. Refletidas pelas gotas de cristal do lustre, elas se espalhavam pela escuridão da sala feito chagas. Olhava, mas não via o fogo que quase se extinguia naquela última lenha velha, queimando o último pedaço, assim como o cigarro no cinzeiro.



Michelle Horst



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Dated 15nov10


Saudade

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Dated 15nov10

domingo, 14 de novembro de 2010

Os teus pés - NERUDA




Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.


Pablo Neruda


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Dated 14nov10


Fado de Lisboa

Era o último amor


Era o último amor. A casa fria,
os pés molhados no escuro chão.
Era o último amor e não sabia
esconder o rosto em tanta solidão.

Era o último amor. Quem advinha
o sabor pela escuridão?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verão?

Era o último amor, o mais perfeito
fulgor do que viveu sem as palavras.
Era o último amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes passadas.

Era o último amor e não sabia
que os pés à terra nua oferecia.


Luís Filipe Castro Mendes




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Dated 14nov10