Eu e SÓ EU...

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Alone

Chegar ou partir...

Como EU sou...

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Bom Dia, Boa Noite... "essas coisas"!

Posting

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PORTUGAL é "só isto"...?!... NÃO... essencialmente, é UM POVO...!!!

Provérbios

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se, a descobrir e a descobrir-se com lucidez”. (Pablo Picasso)

PORTRAIT




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.

Gedeão


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.Gedeão

A(o)s que me deixam MENOS alone...!!!

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Começar o DIA "sorrindo" com "bonitão?!?"...?!



Três trabalhadores de uma empresa de limpeza estão num andaime, lavando os vidros de um grande edifício.

De repente, um deles dá um gemido, vira-se pro outro ao lado e diz:

- Ai, ai, ai, que dor de barriga!. Precisamos descer!

- Você está louco! Vai demorar a vida toda - fala o colega.

- Mas eu não tô aguentando mais, cara! Não vai dar tempo de descer!

- Então, bata na janela e peça pra senhora deixar você usar o banheiro! aconselha o amigo.

É o que ele faz. Assim que a senhora permite a sua entrada pela janela. Ele voa para o banheiro.

Está lá o cara, tranquilo, fazendo suas necessidades, quando ouve uma gritaria danada.

Quando sai, vê que o andaime tinha quebrado e os dois amigos tinham se espatifado no chão.

No dia seguinte, no velório, estão lá os amigos, as viúvas inconsoláveis e o cara acompanhado da esposa, quando chega o dono da empresa onde trabalhavam imediatamente todos fazem silêncio. O empresário começa o seu discurso, dirigindo-se às viúvas:

- Sei que foi uma perda irreparável, mas posso, pelo menos, tentar aliviar tamanho sofrimento. Isso nunca aconteceu em nossa empresa que sempre pensou na segurança dos funcionários. Eu me sinto muito triste e ajudarei em tudo que puder as viúvas. Como sei que as senhoras pagam aluguel, darei uma casa para cada uma! Também sei que as senhoras dependem de ônibus; por isso, darei um carro pra cada uma! Quanto aos estudos de seus filhos, não se preocupem mais, pois tudo será por conta da empresa até que terminem a faculdade! Para finalizar, as senhoras receberão todos os meses 3 mil reais, para as comprinhas da 'cesta básica'!

A mulher do sobrevivente, já meio arroxeada, não se contendo mais, belisca o marido e fala:

- E O BONITÃO CAGANDO, NÉ???

Fonte: supertextos.com/




Posted by alone Dated16sep2011


sábado, 14 de maio de 2011

O gramático (*)



Alto, magro, com os bigodes grisalhos a desabar, como ervas selvagens pela face de um abismo, sobre os cantos da funda boca munida de maus dentes, o professor Arduíno Gonçalves era um desses homens absorvidos completamente pela gramática. Almoçando gramática, jantando gramática, ceando gramática, o mundo não passava, aos seus olhos, de um enorme compêndio gramatical, absurdo que êle justificava repetindo a famosa frase do Evangelho de João:

— No princípio era o VERBO!


Encapado pela gramática, e às voltas, de manhã à noite, com os pronomes, com os adjetivos, com as raízes, com o complicado arsenal que transforma em um mistério a simplicíssima arte de escrever, o ilustre educador não consagrava uma hora sequer às coisas do seu lar.
Moça e linda, a esposa pedia-lhe, às vezes, sacudindo-lhe a caspa do paletó esverdeado pelo tempo:

— Arduíno,
põe essa gramatiquice de lado. Presta atenção aos teus filhos, à tua casa, à tua mulher! Isso não te põe para diante!

Curvado sobre a grande mesa carregada de livros, o cabelo sem trato a cair, como falripas de aniagem, sobre as orelhas e a cobrir o colarinho da camisa,
o notável professor retirava dos ombros a mão cariciosa da mulher, e pedia-lhe, indicando a estante:

— Dá-me dali o Adolfo Coelho.

Ou:

— Apanha, aí, nessa prateleira, o Gonçalves Viana.

Desprezada por esse modo, Dona Ninita não suportou mais o seu destino: deixou o marido com as suas gramáticas, com os seus dicionários, com os seus volumes ponteados de traça, e começou a gozar a vida passeando, dançando e, sobretudo, palestrando com o seu primo Gaudêncio de Miranda, rapaz que não conhecia O padre Antônio Vieira, o João de Barros, o frei Luís de Sousa, o Camões, o padre Manuel Bernardes,
mas que sabia, como ninguém, fazer sorrir as mulheres.

— Êle não prefere, a mim, aquela porção de alfarrábios que o rodeiam?
Então, que se fique com eles!

E passou a adorar o Gaudêncio, que a encantava com a sua palestra, com o seu bom-humor, com as suas gaiatices, nas quais não figuravam, jamais, nem Garcia de Rezende, nem Gomes Eanes de Azurara, nem Rui de Pina, nem Gil Vicente, nem, mesmo, apesar do seu mundanismo,
D. Francisco Manuel de Melo.

Assim viviam, o professor, com seus puristas e Dona Ninita com o seu primo, quando, de regresso, um dia, ao lar, o desventurado gramático surpreendeu a mulher nos braços musculosos, mas sem estilo, de Gaudêncio de Miranda. Ao abrir-se a porta, os dois culpados empalideceram, horrorizados.
E foi com o pavor no coração que o rapaz se atirou aos pés do espôso traído, pedindo súplice, de joelho:

— Me perdôe, professor!
Grave, austero, sereno, duas rugas profundas sulcando a testa ampla, o ilustre educador encarou o patife,
trovejando, indignado:

— Corrija o pronome, miserável!
Corrija o pronome!

E, entrando no gabinete, começou, cantarolando, a manusear os seus clássicos...

Humberto de Campos


(*) Esta engraçada anedota com que Humberto de Campos divertiu os leitores de "O Imparcial" e, depois, os do livro "AGansos do Capitólio", vem condensada em meia dúzia do linhu no texto da 'Fisiologia do Casamento", de Honoré de Balzac, sendo ai o protagonista um membro da Academia Francesa.

(Foi mantida a gramática da época).

Origem: releituras.com




Posted by alone Dated14may2011



terça-feira, 10 de maio de 2011

A mulher automática






(De São Paulo) — Qual é o seu cargo?

— Esteno-dáctilo-serpente-contralto-secretária...

— Isso é novidade. Eu ouvi no rádio naquele debate sobre a mulher moderna: esteno-dáctilo-serpente-secretária
— A mulher atual!

— Ainda tem mais!
Ponha glamour!

— Que é isso?

— Glamour é assim como eu sou.
De concurso!

O homem pálido que esperava há duas horas examinou com os olhos a morena iodada no coral solto do vestido, sandálias de purpurina, cabelo lustroso, brincos, balangandãs e pulseiras, um beiço em ciclamen por Salvador Dali.

— O senhor sabe? Comprei ontem um leque que cheira. É formidável!
Da América!

A voz grossa trauteou
"La vie en rose".

— Dei o fora no meu darling porque ele não me levou à boîte para ver o Charles Trenet.
Fui com Mister Ubirajara.

— Quem é Mister Ubirajara?

— Acho que é canadense. Um gordo do anúncio. Tem gaita e possui um guarda-roupa perfeito. Dois ternos por dia! Me levou a Santo Amaro num 1950 formidável.
Tomamos muitos drinks.

Na ante-sala de móveis mecânicos o telefone ressoou.

— Aposto que é o turco! Deixa tocar... Ele fala "negócio". Quer saber do "negócio" dele.
Como se eu estivesse aqui para dar informações!

O telefone insiste.

— O senhor saber? Um marinheiro contrabandista foi ao meu apartamento levar uns cortes de tropical e uns relógios suíços. Não falava nenhuma língua. Disse por gestos que era marinheiro, da Suíça. Enquanto ele se bati um relógio-pulseira e pus ele pra fora. Começou gesticulando que faltava alguma coisa. Banquei a boba. O homem falou baiano: — Deixe de besteira moça! Não gosto disso não! Me dá o relógio!

O telefone continuava. Ela arrancou num gesto o fone
e berrou:

— Não me encha!
Não é aqui!

Desligou violentamente. A
voz do outro lado ficou dizendo humildemente:

— Esbéra, mucinha!

— Que esbéra, nada! Se ele ligar outra vez dou o telefone do Cemitério do Araçá.
Vou fazer ele falar com defunto!

Houve um silêncio rápido.
O homem pálido perguntou:

— A senhora é contralto?

— Sou. O que a mulher tem de melhor é a voz! — gritou desaparecendo numa porta volante.
— A voz e a saliva!

Oswald de Andrade

Fonte: releituras.com

Posted by alone Dated10may2011