Eu e SÓ EU...

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Alone

Chegar ou partir...

Como EU sou...

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Bom Dia, Boa Noite... "essas coisas"!

Posting

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PORTUGAL é "só isto"...?!... NÃO... essencialmente, é UM POVO...!!!

Provérbios

“Só um sentido de invenção e uma necessidade intensa de criar levam o homem a revoltar-se, a descobrir e a descobrir-se com lucidez”. (Pablo Picasso)

PORTRAIT




Não importa quantos passos você deu para trás, o importante é quantos passos, agora, você vai dar para frente.

Gedeão


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.Gedeão

A(o)s que me deixam MENOS alone...!!!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Entrei no café com um rio na algibeira



Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José GOMES FERREIRA



Fonte: astormentas.com


Posted by alone Dated06jul2011


terça-feira, 5 de julho de 2011

Agostinho, Agostinha - Ivone Silva e Camilo de Oliveira




alone: eu "piso e repiso" esta "moléstia" muitas e muitas vezes. Em Portugal, havia e há escritores, artistas diversos e "gente" como a Ivone e o Camilo que, já em 1983, mostravam que o País estava a caminhar para... ficar TUDO "GROSSO"...!!! E, realmente, tal como o Solnado alguns anos antes deles, tudo está mais que CONFIRMADO! É "gente" que anda(va) MUITO Á FRENTE do FUTURO (incluo aqueles que lhes escreviam alguns dos textos, claro...!) e sabia a PORCARIA que aí vinha... e em que, infelizmente, "estamos atolados" até ao PESCOÇO !...


Posted by alone Dated05jul2011


"Do Diário de Mamãe" de João Ubaldo Ribeiro



QUERIDO DIÁRIO,


Hoje eu não ia escrever. Você sabe que eu sempre digo que não vou escrever nada na manhã do Dia das Mães, mas acabo mudando de idéia, acho que é um preparo psicológico importante. A análise não adiantou nada, só me forneceu algumas palavras para designar as minhas neuras, que por sinal agora atendem todas as vezes em que são chamadas por seus nomes freudianos. Antigamente, quando eu não as conhecia tão cientificamente, elas eram menos metidas, tinham pelo menos um certo pudor, não ficaram tão assim emergentes, minhas neuras hoje são umas peruas emergentes insuportáveis. Diário é muito melhor do que análise, não dá palpite nem fornece status à nossa maluquice. Aconselho.

Sim, querido, Dia das Mães novamente. O do ano passado parece que foi ontem. Ele, como sempre, está entusiasmadíssimo, é o rei do Dia das Mães. Aliás, é o rei de todos esses dias, porque sempre ganha presentes. Como hoje, por exemplo. Oficialmente, é o meu presente, claro. Ele acha que eu não sei, mas vi a nota de venda no bolso do paletó dele e a caixa mal-disfarçada, meio escondida por trás das almofadas velhas, na prateleira de cima do armário do quarto. É uma filmadora de vídeo altamente avançada, dessas que exigem diploma de engenharia eletrônica para começar a operar e de que eu preciso tanto quanto de uma temporada de camping no Haiti. Ele sabe que eu não suporto máquinas, botões e luzinhas debochadas, mas vai me dar a filmadora. Vai botar na minha mão, vai me chamar de tecnófoba, dizer que eu vou acabar virando uma Spielberg, pegar o manual para ler tudo e me ensinar, tomar a máquina para o resto da vida e obrigar a família e os amigos a me assistir correndo de um caranguejo em Maceió, com close na celulite. Mas ele é assim, que é que se vai fazer, já nasceu assim. Até no Dia da Criança ele dá um jeito de receber um presente da mãe, preferivelmente ela pagando, mas, quando ela resiste, ele mesmo paga, acho que o sonho dele é morar no free shop e dar expediente diário em Miami. No ano passado, ele me deu um celular que eu nunca usei, não sei pra quê botar ainda mais uma coleira em mim — e adivinhe quem é que usa o celular.

Sim, e eu sou uma anormal. Não anormal de psicanalista, que todo mundo é, mas anormal mesmo, dessas de cinema americano de tevê de assinatura. Bem verdade que tenho minhas razões. Não há normalidade que resista a seis netos numa mesa de churrascaria. Agora são oito anos. É isso mesmo, Marcelinho, o mais velho, tem oito anos, tenho oito anos de avó e oito anos que ouço seiscentas vezes "agora é mãe duplamente, hem?" e tenho que responder com um risinho. Como dizia minha mãe, que eu agora compreendo muito melhor, é por essas e outras que eu não ando armada. E o Marcelinho, tudo bem, deixou de ser catarrento e de chutar e morder as pessoas. A Duda, mãe dele, é moderna e acha ótimo tudo o que ele faz, mas agora ele simplesmente chega à churrascaria, enche o pandulho de lingüiça e picanha e não fala mais nada, deve ter um vocabulário de umas 15 palavras, grande Marcelinho, excelente neto. Mas os outros não, os outros eu sinceramente acho que deviam ser congelados até passarem da adolescência. Quando passassem, fazia-se o descongelamento. Se voltassem a manifestar o mesmo potencial infinito de enervar o próximo, novo congelamento até os 20. Aí, descongelava, mais encheção de saco, mais cinco anos de freezer e assim por diante.

É, devo ser anormal, mas não tem quem me faça acreditar que não haja muitas outras na mesma condição que eu. Admito que não estou de bom humor, mas é natural. As flores já começaram a chegar, vão acabar os jarros, acho que vou montar uma banquinha de florista na portaria, pelo menos assim eu me dou um presente razoável e amenizo os ímpetos homicidas que me atacam, quando vejo nos comerciais de tevê o fogãozinho ideal para a mamãezinha. Felizmente eles já sabem disso, mas é bom sempre lembrar que eu pego a cabeça do infeliz que vier me dar um fogãozinho de presente de Dia das Mães, boto no forno e acendo. O mesmo, modus in rebus, com os dedos de quem me der liquidificador. Mas acho que não há risco. Ninguém tem grana e todo mundo se lembra do que eu fiz, no dia em que o Marcito me deu um descascador de batata de presente, até hoje ele deve ter trauma de batata. Você também teria, se passassem um descascador de batata no seu cabelo.
Estou pronta para a churrascaria e a família. Não que isso seja motivo para foguetes, mas vou poder ver o Leo novamente. Só vejo Leo entre espetos e uma vez por ano. Acho que, sem os espetos, o pão de queijo e as tulipas de chope, eu talvez tivesse dificuldade em reconhecê-lo. Olhando para minha cara, ninguém diz, mas eu sou mãe de um indivíduo que ficou careca e mandou fazer aquele trançadinho grotesco na careca e ainda pinta o resto de cabelo que tem e o bigode. E troca de mulher o tempo todo, ou elas o trocam, nunca sei bem. O que eu sei é que ele sempre aparece com uma diferente, sempre com nome estrangeiro, Ingrid, Shirley, Uta, umas coisas assim, todas sorridentes, empetecadas e dizendo que eu estou bem, estou muito bem, estou ótima — fico indignada, só se diz isto a velho, nem agradeço.

Estou pronta, querido Diário. Para não encherem o saco outra vez, fiz o cabelo e as unhas, vou usar a blusa nova (que eu comprei, com meu dinheiro) — estou bem, estou muito bem, estou ótima. Acho que este ano, aconselhada pela experiência, vou levar um livrinho para ler na fila da churrascaria e montar um sorriso permanente na cara, para todas as finalidades. Me olhou, eu estou lá com um sorriso. Longe de mim querer estragar a festa da família, que diriam eles aos amigos, se não pudessem contar que levaram mamãe e vovó para almoçar fora no Dia das Mães. Ser mãe, todo mundo sabe, é padecer num paraíso, se bem que ainda não me mostraram direito o paraíso. Mas cumpro o meu papel de centro da festa, sei o que se espera de mim, nunca falhei em meu dever, vou encarar esse almoço com coragem e serenidade. Só não garanto é me conter se o Leo resolver fazer discurso outra vez e me chamar de matriarca. Almoço sim, mas matriarca é a mãe.


Texto extraído do livro "O Conselheiro Come", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 2000, pág. 166.

Fonte: releituras.com




Posted by alone Dated05jul2011


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Maria Guinot - As Mães da Praça de Maio




Maria Guinot interpreta a música As Mães da Praça de Maio no programa Deixem Passar a Música na RTP em 1987.


alone: sou um "apaixonado" pelas músicas e letras da Maria Guinot isto para além de a achar uma cantora de EXCELÊNCIA. Com a Maria Guinot, as palavras saiem SOLTAS como, afinal, ela sempre foi: livre a escolher o seu reportório, a seguir o "seu" rumo político, sem NUNCA se pôr em BICOS DOS PÉS...!!! O meu maior APLAUSO para ela!...


Posted by alone Dated04jul2011

IIIIAAAAUUUUU.... FUÍ PAIIII, FUÍ PAPAAAIIIIIIIIII...!!!



... foi na noite de 1 para 2 de julho! A "Passolinha" e o(a)s 6 (seis) filhotes estão de BOA SAÚDE e FELIZES por estarem COMIGO!



A "Passolinha" é uma cachora "vira-lata" que apareceu na minha casa de forma "inesperada": um familiar veio-nos pedir para ficarmos 1 Fim-de-Semana com ela e que na 2ª Feira estaria lá para pegá-la. Claro: esqueceu-se de dizer qual seria a 2ª Feira!...



E a "Passolinha" foi ficando (como o Toyota que "veio pra ficar"...!), fazendo companhia à "minha" NEGONA Nina que me havia sido dada alguns meses antes (ainda cachorrinha...) e ao "meu gatinho" que apareceu lá em casa como "rejeitado" pela mãe e que tivémos que o recuperar (doenças várias e, entre elas, a "sarna"...) e a que se juntou, algum tempo depois, uma irmã dele "a outra gatinha" que passou lá a habitar e que, para não nos deixar "muito SÓS", nos irá brindar -MUITO EM BREVE- com mais uns gatinhos!...



Estou sériamente a pensar fazer um pedido à Presidenta DILMA -do Brasil- para nos presentar com uma "BOLSA-FAMÍLIA" porque, a trabalhar no Centro Paula Souza, nem o "vale-coxinha" de 4 (quatro) Reais/dia trabalho vai dar para comprar "muita coisa". Ao Governo Português e ao Presidente Cavaco nem penso pedir nada, não só pela "crise" como, também, porque tenho "medo" que eles AINDA me FAÇAM PAGAR alguma "coisinha" daquele "dinheirinho" que TODOS DEVEMOS a TODA A GENTE e mais ALGUÉM...!!! Foge....!!!



Se, entretanto, vocês quiserem "entrar com algum carcanhol" digam-me porque, sendo assim, eu promovo UM FUNDO (... sem "fundo"...) para esse FIM! Não se esqueçam que os Portugueses e Brasileiros são SOLIDÁRIOS...!!!



Pai aos 59... que mais me irá acontecer...?!...



A foto do "acontecido" está a ser "preparada" para divulgação pela ASSOCIATED PRENSA e pela LAMBUSA...! Aguardem, "XENTE"...!!!






Written and Published by alone Dated04jul2011


Por quê essa pressa?



Ando surpreso. De uns tempos para cá, as pessoas parecem estar perdendo a noção de fila. Para embarcar no aeroporto, nem se diga! Assim que o vôo é chamado, sempre há um grupo de passageiros que se amontoa em frente à entrada. Crianças, idosos e deficientes têm preferência no embarque. Poucos conseguem chegar na frente. Dia desses, no Aeroporto de Congonhas, ajudei uma senhora com duas crianças a evitar que os pimpolhos fossem atropelados pelos outros passageiros. Ela, que tinha preferência, ficou por último! Detalhe: os lugares são marcados previamente. Por quê a pressa?

Imagino como sofre o caixa de um bar, tendo de atender várias pessoas que gritam ao mesmo tempo. Em metrô, é um sufoco. O correto seria esperar que saia quem vai desembarcar. Tentei fazer isso no horário de pico. Fui empurrado, levei uma cotovelada na orelha e ainda me xingaram! Uma loucura! Quem quer sair empurra, quem quer entrar empurra mais!

Até entre os elegantes, reina a confusão! Fui a uma festa. Serviram o jantar em um bufê, com comida farta, de dar água na boca. Os mais educadinhos foram se servindo em fila. Dali a pouco entrou uma perua no meio, estendendo as unhas pintadas:

– Deixa eu pegar só uma saladinha!

Pronto! Outro voou para o prato quente, furando todo mundo. A fila parou. Dois ou três aproveitaram a deixa para se servir, espetando quem estava na frente com os garfos.

– Ah, desculpe... É que eu ia pegar aquela batatinha... – avisou um.

– É só um segundo... Já saio – disse outro, erguendo a faca para garantir espaço.

Quando chego a um restaurante e avisam que tem espera, vou embora. Ninguém respeita ordem de chegada. A começar dos maîtres, que dão preferência a clientes fiéis, conhecidos... seja lá quem for. É justo que um cliente tenha suas vantagens. Mas, então, por que não reservar a mesa com antecedência? Nem vou citar nome de restaurante, já que a maioria é assim. Depois de esperar meia hora, sempre vejo alguém entrar e acomodar-se imediatamente. Se reclamo, a resposta é sempre a mesma:

– Eles já estavam esperando faz tempo, o senhor se enganou.

Que raiva! Até perco o apetite. E olha que para eu perder o apetite não é fácil, não!

Elevador, então, nem se fala. No Shopping Higienópolis, são demoradíssimos. Outro dia, estava subindo quando parou em um andar. Uma jovem com um carrinho de bebê esperava.

– Está lotado – avisaram.

– É o terceiro que passa, e não consigo entrar – reclamou a moça.

Os passageiros ergueram os queixos, como se não fosse com eles. Alguém supunha que ela fosse descer com o carrinho em escada rolante? Ela enfiou o carrinho. Todos se apertaram, incomodados, como se o bebê fosse o estorvo. Fiquei no fundo. Quando cheguei ao meu andar, avisei:

– Preciso descer.

Ninguém se mexeu. Fui até a saída. Pisei no pé de uma mocinha, que gritou ofendida. Dei uma cotovelada em um gorducho que estava parado em frente à porta, sem mexer as banhas. Aliviado, botei o pé para fora! Elevadores, aliás, transformaram-se num purgatório. Não é inferno porque um dia a gente sai. Os espaçosos espremem os mais corteses. Nunca falta quem use um perfume fortíssimo, desses de deixar a cabeça tonta. Tudo seria passável se ao menos fosse possível entrar e sair de um elevador cheio sem passar por cenas de pugilato. Mesmo porque, como nos metrôs, quem vai entrar nunca deixa os outros desembarcar!

É impossível que todo mundo tenha sempre tanta pressa. Minha impressão é que, com o stress da vida moderna, as pessoas andam esquecendo as regras mínimas do bem viver.

Walcyr Carrasco

Fonte: textos_legais.sites.uol.com.br





Posted by alone Dated04jul2011

domingo, 3 de julho de 2011

Eça de Queirós : Estamos perdidos há muito tempo...



No ano de 1871, Eça de Queirós disse:

«Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: “o país está perdido!”
Algum opositor do actual governo?... Não!»


Fonte: http://www.luso-poemas.net/





Posted by alone Dated03jul2011